20 de janeiro de 2009

Para Fabrício


Antes de ter meu blog eu já tinha sido fisgada pela blogsfera, e o culpado foi esse poeta, o Fabrício Carpinejar. Seus posts são de uma pronfudidade às vezes desconcertante, têm uma sonoridade própria, frases lapidadas, e não somente escritas. Como ele consegue, de onde ele tira essa inspiração? Talvez tenhamos de fato essa origem comum e a alma universal que fala aos nossos corações aravés da mesma linguagem. Sentimentos idênticos para pessoas tão díspares, distantes, desconhecidas.
Acompanhando seu diário virtual, vi que recentemente se separou. Matou o amor, ou o deixou morrer, como ele próprio disse, no post que trago, pela sua verdade... e a questão não me sai da cabeça. Por que deixar o amor morrer? por que matá-lo, se ele, em suma, é nosso maior alvo nesta vida? De que valem nossos dias sem amor... mas por que é tão difícil mantê-lo?
Just questions....

O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa.

Morre porque o matamos ou o deixamos morrer.

Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença.

Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia.

Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados.

O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos.

Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento.

O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida.

O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada.

Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos.

No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.

Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria.

Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.
Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas.

Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade.

O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever.

O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

11 de janeiro de 2009

A vida



Quando você partir, em direção a Ítaca,
que sua jornada seja longa,
repleta de aventuras, plena de conhecimento.


Não tema Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon;
você não irá encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar seu corpo e seu espírito.
Laestrigones e Ciclopes, e o furioso Poseidon
não estarão em seu caminho
se você não carregá-los em sua alma,
se sua alma não os colocar diante de seus passos.


Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga uma alegria nunca vista.


Procure visitar os empórios da Fenícia,
recolha o que há de melhor.
Vá às cidades do Egito,
aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.


Não perca Ítaca de vista,
pois chegar lá é o seu destino.
Mas não apresse os seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos
e seu barco só ancore na ilha
quando você já estiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.


Não espere que ítaca lhe dê mais riquezas.
ítaca já lhe deu uma bela viagem;
sem ítaca, você jamais teria partido.
Ela já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.


Se, no final, você achar que ítaca é pobre,
não pense que ela o enganou.
Porque você tornou-se um sábio, viveu uma vida intensa,
e este é o significado de ítaca.


- KONSTANTINOS KAVAFIS (1863-1933)

3 de janeiro de 2009

2008

Sem palavras para dizer.
Sem termos aptos a transmitir os momentos vividos.
As surpresas.
2008 se vai, e deixa momentos que ficarão eternizados.
2009 vem chegando, com a doce promessa de tantos outros.
Depois de tanta caminhada.
"Aquilo que a memória ama fica eterno."

8 de dezembro de 2008

Day one


A saída de casa para o aeroporto.
A primeira sensação. O começo da viagem é também a largada para seu final. E o que fazer então? Apenas a única coisa possível, aproveitar cada momento.
A chegada no Rio e o rosto amigável do caroneiro. O que mais deseja quem chega se não um belo sorriso de boas vindas?
O dia estava lindo. Coloquei na cota da sorte, que eu já sabia estar gastando...rsrsrsr. Um engarrafamento na saída do aeroporto, e time rolando rolando...
A chegada meio insegura na minha nova "casa". Uma coisa muito diferente, e mesmo por isso, com certeza, vai marcar muito mais do que se fosse meramente normal...
Um dia ótimo, com uma praiazinha bem no posto 9 em Ipanema e um papo que rendeu rendeu rendeu.
Decididamente, entrei com o pé direito na cidade maravilhosa.
E ainda, uma noite por aí....mais coisas boas....

2 de dezembro de 2008

Vem vindo por aí...



Preciso confessar. Tá chegando a hora e a ansiedade aumenta....

Do EGO " A turnê Sticky & Sweet, que Madonna apresenta no Brasil a partir do próximo dia 14, tem números impressionantes. São necessários cinco dias, trabalhando 24 horas diárias, para a montagem do palco e dos cenários do show; cinco vans apenas para levar a cantora e seus bailarinos para o local das apresentações e cinco salas apenas para as áreas de alimentação dos artistas e produção.

No staff da cantora, são mais de 220 profissionais, entre eles seis tradutores. São 69 guitarras, 3500 peças de figurino, 5 trocas de roupa em cada apresentação, 100 pares de modelos antigos de meias tipo "arrastão" adquiridas por Madonna em lojas de dança e pela internet. Só de caminhões, são 30 para transportar os figurinos para cada show. A produção conta também com quatro freezers gigantes para carregar bolsas de gelo para Madonna e dançarinos.

Do lado de fora do palco, a estrutura montada para os fãs também impressiona. Serão 210 banheiros químicos instalados no Morumbi e 170 no Maracanã, além dos banheiros fixos dos estádios, 10 postos médicos, 700 homens cuidarão da segurança particular dentro dos estádios, além de contigentes da Polícia Militar e Polícia civil, e 140 bombeiros.
Ai ai ai ai!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rio Here I GOOOOOOOOOOO!!!!

O que vem de dentro


Minha beleza não é efêmera

Como o que eu vejo


Em bancas por aí


Minha natureza


É mais que estampa


É um belo samba


Que ainda está por vir...




Bobagem pouca


Besteira...


Recíproca nula


A gente espera


Mero incidente


Corriqueiro


Ser mulher


A vida inteira...

30 de novembro de 2008


Bem, começa a contagem regressiva. Daqui a duas semanas estarei no meu primeiro grande show internacional, e logo com a " Rainha do pop". Mais do que coisa de fã ( o que aliás nem me considero, pelo menos em comparação aos acessos de fisson que tenho observado pela tv e internet dos mais afoitos) meu post está intimamente relacionado à consciência que possuo em relação ao papel da Madonna na indústria cultural do mundo desde a decada de 80. Sim, gosto das suas músicas, sim, tenho um show dela em DVD, sim, quero encher meus olhos com um - de fat0 - mega espetáculo, coisa que ainda não experimentei. Estou ansiosa.

Por uns momentos, o fato de passar uns dias na cidade maravilhosa até encobriu o grande motivo pelo qual estarei lá, mas isso fica pra outro dia.


O Zeca Camargo tem um exclente blog na globo.com, e há um tempo ele resolveu escrever sobre a " Madge" rsrssrsrsrs, a propósito dos seus cinquenta anos. Pela propriedade de suas palavras ( o cara manda bem demais!) segue o texto, que quero ter guardado pra mim no meu espaço virual:



" (...) Quando, nesse post, comparei Michael ao grupo peruano Los Saicos, já esperava um certo criticismo - que, aliás, veio logo na seqüência da publicação do tal post.
Mas isso foi há seis meses? Por que, de repente, fãs em estados alterados me cobravam que eu reagisse ao trabalho de Michael Jackson da mesma maneira que eles: considerando-o imune de qualquer crítica? Já estou acostumado com fãs com essa postura, mas a defasagem das “réplicas” que chegavam - a mais recente é de ontem! - me pareceu ligeiramente deslocada. Mas aí me lembrei que o aniversário de Jacko - como ele é às vezes citado - estava chegando: ele faz 50 anos no próximo dia 29!
Aí estava a explicação que, de certa forma, trazia um conforto para minha perplexidade diante da reação tardia de seus fãs. Um detalhe porém continuava a me incomodar: o fato de que boa parte desses fãs que escreviam representar pessoas furiosas por eu ter comparado Michael Jackson à Madonna - o que, inevitavelmente colocou a outra cinqüentona do mês em posição vantajosa…
Mais especificamente, me chamou a atenção, entre gente que me chamou de “desenformado” (sic) - talvez um elogio, se essa neologismo quisesse expressar que eu estava pensando “fora da forma” (ou do quadrado!) - ou que afirmou que eu poderia me expressar “como queira, mais (sic) dizer que dizer que esse álbum thriller não é 100% perfeito aí você (eu) está (estou) errado”, os comentários que me deixaram realmente intrigados foram os que acharam injusto o fato de eu afirmar que “foi só com Madonna que o formato entrou na vida adulta”.
Alguma dúvida quanto a essa afirmação? Ora, enquanto Jackson levava a namorada para assistir filme de terror e comer pipoca, Madonna simulava masturbação no palco ao cantar “Like a virgin” - lembrando, que ela estava vestida de noiva…
Só por isso, os 50 anos de Madonna valem a pena serem mais celebrados que os de Michael Jackson. Afinal, desde os anos 80, é ela que nos ensina a ser adultos ligeiramente perversos - não escravos de nossas fantasias (as sexuais incluídas), mas donos absolutos delas. E se um dia ela precisou ser explícita com relação a isso - vide “Erotica” - cada vez menos ela foi usando o sexo para celebrar a liberdade. E nem por isso deixou de passar sua mensagem.
A liberação que Madonna incita em cada um de nós, a cada novo álbum, tem a ver com espiritualismo, consciência política, simplesmente música, nostalgia, ou pura autenticidade (não preciso ser óbvio e dizer cada música que ela usou para passar essas mensagens, preciso?). Recentemente, inclusive, o próprio tema da idade serve a seus propósitos, como ela insinua no seu mais recente álbum, “Hard candy”.
E é essa Madonna que eu gostaria que todos celebrassem nesses 50 anos: a eterna liberadora; a provocadora “conseqüente”; a dominatrix de araque; a tutora sacana; a iluminada intuitiva; a infinita fonte de inspiração. O pop - e todo o mundo do “showbizz”, na verdade - teria tomado um rumo diferente se ela não tivesse existido. Às vésperas de seus 50 anos, ela está na capa da “New York” não porque ela está apontando para a decadência, mas porque ela revela um novo rosto para as mulheres da sua idade. Esse é seu segredo: saber ser o pivô do assunto da hora, independente da sua oferta musical. Mesmo que seu trabalho mais recente não tenha sequer arranhado a marca de vendas dos anteriores, ninguém deixou de comentá-lo. Centenas de artigos sobre ela foram escritos sem que ela desse uma entrevista - apenas porque esses veículos tinham uma nova desculpa para falar novamente dela (no caso, “Hard candy”). Brilhante!
Há quase 30 anos esse ciclo se repete - e quer motivo melhor que esse para celebrar o aniversário da mulher por trás desse “loop” de fascinação e escárnio?
Eu cá vou acender a minha velinha, colocar “Like a prayer”, “Cherish”, “Hung up”, “Rain”, “Erotic”, “Music”, “Like a virgin”, “Hollywood”, “Into the groove”, “Who’s that girl”, “Holiday”, “Sorry”, “Justify my love” e “Material girl” em alta rotação no meu iPod, apertar o “play” do meu iPod, e cantar “Parabéns a você”. E “você” não é aquela que celebra seus 50 anos, mas você aí, que me lê, e que é fã dela - de Madonna.
A única que, a cada vez que vem com uma música nova nos faz sentir como se tocados pela primeira vez. Você sabe o que eu quero dizer…




27 de novembro de 2008

Felicidade

Meu post seria, inicialmente, sobre a paz.
Eu sempre começo pela imagem, ou seja, o contrário do que seria normal fazer.
Mas nem todo mundo é igual, e nem todo igual é normal.
Então, ao navegar pelas imagens, lançando em cada tentativa argumentos que me pudessem levar a uma figura ideal, deparei-me com uma daquelas descobertas aparentemente despretensiosas mas que mais conseguem dizer a respeito de nós mesmos.
Para mim, paz e felicidade são conceitos indissociáveis. Mais do que sinônimos, mais que representações do mesmo sentimento. São a mesma coisa.
Se estou em paz, estou feliz.
A despeito de condições externas não favoráveis, apesar das insatisfações quotidianas, sejam mundanas ou transcendentais. Mesmo com o trânsito, o governo e a falta de dinheiro e " posição social".
E ainda que estas condições estejam presentes e sejam favoráveis, ainda não são um passaporte para a felicidade.
Felicidade não é algo a ser buscado. Ela se encontra num ponto em nós, ao qual chegamos quando a paz entra em nossas vidas.
A paz de contemplar uma bela paisagem.
A paz de sentir a água do mar batendo contra o corpo
A paz de trabalhar em prol dos objetivos desejados
A paz de poder ouvir o coração
A paz de conquistar sabedoria.
A paz de ficar tranquila.

" Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito"
Clarice Lispector

10 de novembro de 2008

Orgulho!


Ontem fui assistir à OSESP, que está em turnê nacional.

A música clássica, como muito bem falou o (excelente) Regente Jhon Neschilng, não se populariza. Mas é preciso que se dê acesso à ela, assim como a outras formas de expressão cultural, ouso acrescentar ao Maestro, pois que são nesses momentos, nos quais conseguimos experenciar de forma concreta a capacidade humana de transcender, de ser sublime, de chegar a um nível de beleza e perfeição tal, que esquecemos um pouco das bestialidades dessa mesma humanidade, de diferenças tão abissais, tão paradoxal... uma raça que gera Ghandis e Hitlers. Vá entender.

Ontem o que senti foi um baita orgulho dessa possibilidade de acesso a um tipo de música que não temos costume de ouvir. Apresentação gratuita, o parque lotado, uma platéia atenta, que, mesmo sem conhecer ( e nem precisar disso) sabia estar diante de uma manifestação artística de qualidade ímpar, de excelência técnica. Cantei o hino nacional com gosto...

Baita orgulho do Cearense que há quatro anos fez uma homenagem à Orquestra quando ela esteve no Ceará e ontem, já componente dela, foi chamado ao púlpito pelo Maestro, e ovacionado pelo povo que lotou o parque do Cocó (que bonito aquele tanto de gente...) prova de superação, de força de vontade de um cearense, de um nordestino, que chegou lá, numa história digna de ser contada. Aplaudi com gosto... e me senti orgulhosa, como se naquele momento a vitória daquele rapaz fosse um pouco minha também.

Enquanto eu estava sentada, fui invadida por várias sensações diferentes. Efeito da música. Música é pra isso, é pra mexer com a gente, seja externa ou internamente. A mais forte, e que está me acompanhando até agora, foi a constatação de que por mais que o mundo que a gente vive seja cheio de senões e que a nossa vida seja cheia de insatisfações.... ( a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. E agora, José?)...

HÁ REALMENTE UM LUGAR ONDE A PAZ PODE EXISTIR, E ONDE PODEMOS ACHAR O NOSSO PORTO SEGURO APESAR DE TUDO– ELE ESTÁ MESMO DENTRO DA GENTE... ONTEM EU SENTI ISSO CLARAMENTE..

Baita orgulho de mim mesma!

26 de outubro de 2008

A lanterna


No Japão de antigamente, quando anoitecia, para iluminar o caminho, as pessoas conduziam lanternas de bambu-e-papel na ponta de uma vara, com uma vela acesa no seu interior.
Assim, ao deixar a casa de um velho amigo já tarde da noite, um homem cego, recebeu dele uma dessas lanternas. "Mas eu não preciso de lanterna," disse o cego. "Para mim, luz e escuridão são a mesma coisa..." "Eu sei que você não precisa de lanterna", respondeu o amigo, "mas é melhor você levar uma, para que as pessoas o vejam pois, caso contrário, alguém pode esbarrar em você..." Convencido pelo amigo, o cego partiu levando a lanterna. Mal começou a andar, alguém trombou com ele violentamente, quase o atirando ao chão.

"Olhe por onde você anda!", berrou-lhe o cego. "Será que você não viu a minha lanterna?"

"Eu peço desculpas, senhor, mas não pude vê-lo pois a sua lanterna está apagada..."