11 de junho de 2009




Vontade de ficar quietinha....

25 de maio de 2009

No final de semana....



Eles nunca me deixam só.

23 de abril de 2009

Para Jorge



matar um dragão por dia

é como fazer poesia

enfrentar o diabo

da vida

com a lança-palavra

erguida


matar um dragão por dia

é como viver na lua

derrotar o tédio

da morte

com o verbo-espada

afiada


matar um dragão por dia

é respirar ódio e cuspir fogo pelas ventas

para que um dia toda maldade vire fumaça

e nossa presença guerreira seja só a lembrança

de um tempo em que o homem valente era o herói da raça


viva são jorge

viva oxossi

viva bem

e mate o mal.

Tião Martins

São Jorge nasceu na Capadócia no ano de 280. No final do século III, o cristão Jorge trocou a Capadócia, na Turquia, pela Palestina, vindo a ingressar no exército de Diocleciano. Jorge logo se destacou, sendo elevado a conde e depois a tribuno militar. Tudo ia bem, até que as perseguições aos seguidores de Cristo reiniciaram. O rapaz não quis negar sua fé, fazendo com que Diocleciano se sentisse traído. O imperador, então, condenou-o às mais terríveis torturas. E Jorge consegiu vencer a todas elas. Suportando uma dor atrás da outra, o filho da Capadócia suportou as lanças dos soldados, permaneceu firme sob o peso de uma imensa pedra, obteve a cicatrização imediata das navalhadas que recebeu e resistiu ao calor de uma fornalha de cal. A cada vitória sobre as torturas, Jorge ia convertendo mais e mais soldados. O imperador, contrariado, chamou um mago para acabar com a força de Jorge. O santo tomou duas poções e, mesmo assim, manteve-se firme e vivo. O feiticeiro juntou-se à lista dos convertidos, assim como a própria esposa do imperador. Estas duas últimas "traições" levaram Diocleciano a mandar degolar o ex-soldado em 23 de abril de 303. Conta-se ainda que o bravo militar matou um dragão para salvar a filha do rei de Selena e todos os habitantes desta cidade Líbia. Lenda ou realidade, o fato é que São Jorge nos lembra que todos nós temos algum desafio a vencer nesta vida, seja o nosso orgulho, o nosso egoísmo ou mesmo problemas que nos afetam no dia-a-dia. Como ele, devemos permanecer fortes e corajosos, independentes dos desafios que a vida nos traga. Assim, como Jorge, havemos de vencer.

Dia 23 de Abril - Dia de São Jorge.

E assim chegar e partir...



Mande notícias
Do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando...

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero...

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais...

Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir...

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida...

A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...



São só dois lados da mesma viagem.
A eterna viagem, a roda vida...
Contínuas estações.
Jamais uma chegada.

22 de abril de 2009

Desafio...

20 de abril de 2009

Tenho fases...




Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
Fiquei sem poder chorar, quando caí.

Epigrama N. 8 - Cecília Meireles

Há tempos que estou com Cecília...

13 de abril de 2009

Pétalas que voam




Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

A cada dia um recomeço.
Que Deus esteja sempre comigo e me ajude a continuar enxergando luzes e flores pelo meu caminho. E que eu possa continuar distribuindo luzes e flores aonde eu passar.
Que o meu desfolhar seja breve, e que, deixando de ser assim, eu continue a melhorar, e principalmente a acreditar...
A mudança, seja ela voluntária ou não, é o movimento natural da vida... que eu consiga encará-las apenas como parte de tudo. E simplesmente deixar ir...
Viver é andar na corda bamba do inesperado.

2 de abril de 2009

Minha paixão por livros....


This Is Where We Live from 4th Estate on Vimeo.


Já pensou uma cidade deles???

24 de março de 2009

O Amor e o medo




O medo não combina com o amor.

Como óleo e água, jamais se misturam. Assim, onde houver temor, o amor não poderá deitar suas raízes.

Ao contrário. Passará como um sopro, deixando apenas a sensação incomôda de que poderia ter permanecido, encontrando pouso nos corações, que, muitas vezes machucados, acabam por recear os encontros, as possibilidades. O talvez.

Um talvez que quase sempre vira não. O medo é nosso pior guia, pois sabota as chances de um desenrolar natural dos acontecimentos. Muitas vezes é mais fácil conviver com a certeza do não do que com a incerteza de um “pode ser”...

Porém é extremamente difícil aceitar que somos nós que, com atitudes impensadas, interpretações rasteiras ou falta de esforço mental nos deixamos levar pelas forças contrárias que fazem com que o medo fale mais alto e acabe por colocar um ponto final onde deveria haver reticências.

O medo é combatido pela esperança. A esperança vem da certeza de que podemos sim dar e receber amor, construir uma história bonita de sentimento, cultivar essa flor. E esta certeza vem do auto-conhecimento, do auto-respeito, do amor que temos que nutrir por nossa inteireza. Como humanos, somos essencialmente falíveis, mas também somos sublimes. É a percepção íntima dessa completude que deve nos propiciar a admiração pela nossa história, nossas marcas, nossas lágrimas, nosso prazer. Somos unos, inteiros e prontos para a dádiva da vida e do amor.

Onde há amor, o medo não entrará.

Eu escrevi esse texto hoje, depois de ter conversado muito com minha amiga Renatita sobre a vida, as atitudes que as vezes tomamos, as posturas que adotamos...

E quando resolvi publicar, e até depois de uma resposta dela, na qual falava das possibilidades de uma amizade, da oportunidade de crescimento, do somar à vida que é a síntese do ser amigo, me lembrei de todas elas, sempre presentes, sempre comigo. E mesmo das que não estão na foto, mas que carrego comigo no coração.


Por que também onde há amizade não há medo.

Do tamanho do que vejo



"Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...

"Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura."

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.

"Sou do tamanho do que vejo!"Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.

E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. "Sou do tamanho do que vejo!" E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.

Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.

Mas recolho-me e abrando-me. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer." ***



Trecho 46 do Livro do desassossego. Fernando, como sempre, formidável.