6 de julho de 2009

Receita para se comer queijo.


Ou por que eu amo Rubem Alves....
A Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo.
Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo...
Sugeri, faz muitos anos, que para se entrar numa escola alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme A festa de Babette, e a Tita, no filme Como água para chocolate. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não se iniciam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...
Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do latim affetare, quer dizer ir atrás. O “afeto” é o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o eros platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.
Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde eu morava havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia. Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las. E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constrói a fim de chegar ao objeto do seu desejo.
Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas, minha máquina de pensar teria permanecido parada. Imagine se a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim, me tivesse dado um punhado das ditas frutinhas, pitangas. Nesse caso também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho sem que eu tivesse tido a necessidade de pensar. Anote isso: se o desejo for satisfeito, a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.
Provocada pelo meu desejo minha máquina de pensar me fez  uma primeira sugestão, criminosa: “Pule o muro à noite e roube as pitangas”. Furto, fruto, tão próximos... Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo. Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “Construa uma maquineta de roubar pitangas”. Marshall McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas. Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu sem uma mão seria inútil: as pitangas cairiam. Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura. Feita a minha máquina, apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo.

Imagine agora que eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubar pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. Anote isso: conhecimentos não nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão nunca será aceso; o banquete nunca será servido. Dizia Miguel de Unamuno: “Saber por saber: isso é inumano...”. A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome, mesmo que não haja queijo ele acabará por fazer uma maquineta de roubar queijos. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja...

Porque o jeito dele ensinar faz a gente querer aprender...



" O conhecimento é extensão do corpo para a realização dos nossos desejos"

A auto-sabotagem de cada um

O texto e a figura


Eu adoro essa revista Vida Simples. De vez em quando encaminho para os amigos suas matérias, numa tentativa de espalhar os efeitos benéficos que uma boa meditação sobre as questões que nos tocam de alguma forma pode nos proporcionar.
Nos dias de hoje somos constantemente impelidos à produzir, gerar, alcançar, conquistar. Sem querer, sem prever ou esperar, acabamos deixando muitas coisas pra trás ou pra depois. Um depois que nunca chega.
Vejo os relacionamentos com os amigos, parceiros, familia, cada vez mais mecânicos e superficiais.
Vejo silêncios onde deveria haver vozes e música.
Paredes ao invés de pontes.
E a leitura, muitas vezes, pode ser a faísca que falta para acender "as lamparinas do nosso juízo".
Este mês, no entanto, mais do que a matéria em si ( comportamentos auto-sabotadores não são nada novos) foi a capa que me despertou.
E me fez pensar bastante.
Ás vezes, por brincadeira, crianças amarram os cadarços dos tênis dos colegas. Os incautos, ao tentar avançar, inevitavelmente caem, levando às gaitadas os espertos.
Transpondo a imagem para a vida da gente, no entanto, a "brincadeira " vira coisa séria: Ao amarrarmos os próprios cadarços, damos origem às nossas quedas: por mais que queiramos avançar em alguns aspectos, os nós estão lá e nos fazem cair, repetidas vezes.
A repetição de um padrão de comportamento negativo, especialmente quando nos colocamos em disposição contrária àquela tendência negativa que pretendemos afastar é uma das coisas mais frustrantes que eu conheço.
E a imagem de uma pessoa tentando caminhar na direção daquilo que se deseja, e caindo, e levantando, e tentando dar um passo. para logo em seguida cair novamente me impactou, pela sua precisão. É exatamente o que a auto-sabotagem faz: nos levar ao chão quando deveríamos estar voando baixo no sentido da nossa felicidade, sem amarras.

3 de julho de 2009

Quem avisa...

Os dias são outros.
As frases são as mesmas.

2 de julho de 2009

A memória das águas

Where I belong to


Amores são águas doces

Paixões são águas salgadas

Queria que a vida fosse

Essas águas misturadas

Eu que já fui afluente

Das águas da fantasia

Hoje molho mansamente

As margens da poesia

E foi assim pela vida

Navegando em tantas águas

Que mesmo as minhas feridas

Viraram ondas ou vagas

Hoje eu lembro dos meus rios

Em mim mesma mergulhada

Águas que movem moinhos

Nunca são águas passadas

 
Ah Maria Bethânia... por que és tanto...
Do maravilhoso CD " Dentro do mar tem rio".

30 de junho de 2009

Tudo novo de novo

L’amour..c’est toujours l’amour.... assisti “ Tudo novo de novo”


A música de abertura do seriado (Moska?) Já diz muita coisa:
“ Vamos nos jogar onde já caímos...”
O convite do amor é sempre irrecusável, né mesmo? Pelo menos, o convite da possibilidade do amor... temos medos, desculpas, conteúdos submersos, aspectos não resolvidos na nossa personalidade, mas mesmo assim mandamos ver... depois... ah, depois é depois. Embora eu particularmente tenha um pouco de medo em relação a essa busca interminável que passa por cima de tudo e de todos na procura do amor que se deseja ( sem ao menos saber se existe mesmo, e se está lá...).
Mas quando o amor chega, tudo isso fica pra trás. Mesmo os sofrimentos vividos, as lágrimas derramadas, tudo se apaga... a chance de encontrar o arco-íris parece compensar a passagem pelo temporal. Embora nem sempre isso seja de fato verdade
E nessa hora me lembrei também de um trecho do João Bosco cantando: “ Quando o amor acontece, a gente esquece logo que sofreu, um dia.. esquece sim...”
“ Quem mandou chegar tão perto, se era certo outro engano, coração cigano... agora eu choro assim...”
Aí percebo que tudo já foi dito..... é, apenas, tudo de novo.
De qualquer forma, a idéia do programa, de mostrar as novas relações e as novas formas do conceito de família de hoje é muito interessante. Bom pra alargar a visão da gente...
E depois eu vi que a música é do Moska sim, e por sinal linda:

Vamos começar

Colocando um ponto final

Pelo menos já é um sinal

De que tudo na vida tem fim



Vamos acordar

Hoje tem um sol diferente no céu

Gargalhando no seu carrossel

Gritando nada é tão triste assim



É tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos

Tudo novo de novo

Vamos mergulhar do alto onde subimos



Vamos celebrar

Nossa própria maneira de ser

Essa luz que acabou de nascer

Quando aquela de trás apagou



E vamos terminar

Inventando uma nova canção

Nem que seja uma outra versão

Pra tentar entender que acabou



Mas é tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos

Tudo novo de novo

Vamos mergulhar do alto onde subimos


27 de junho de 2009

Just do it

 
Run, baby, run

26 de junho de 2009

Falando em gostar....



João Bosco no Som Brasil hoje.

Goodbye Michael




Sentindo um certo estranhamento... surpresa acho.
Fui procurar um disco ( é assim mesmo que eu chamo) antigo que tinha dele, com músicas do Jackson5, na época da Motowm.
Estou ouvindo desde então.
Num dado momento, como já colocado por muitas pessoas, o artista se perdeu, ficando apenas aquele trauma ambulante. Uma pena.
Mas foi um grandississímo artista. Marcou um momento, fez história, será lembrado para sempre, como os que, tendo ido antes, também permaneceram: Elvis, Jhon, Bob, Janes e por aí vai....
Não se trata de gostar ou não, mas de dimensionar o papel dele na cultura pop na década de 70-80, e sua inegável influência em muito do que se consome de música hoje. Influenciar a cultura americana, é, ainda, influenciar o mundo inteiro.

Goodbye,Michael, rest in peace...

Never can say goodbye
No no no no, I
Never can say goodbye

Even though the pain and heartache
Seems to follow me wherever I go
Though I try and try to hide my feelings
They always seem to show
Then you try to say you're leaving me
And I always have to say no...

Tell me why
Is it so

That I
Never can say goodbye
No no no no, I
Never can say goodbye

Evertime I think I had enough
I start heading for the door
There's a very strange vibration
That pushes me right to the core
It says turn around you foole
You know you love her more and more


Tell me why
Is it so
Don't wanna let yo go


I keep thinkin that our problems
Soon are all gonna work out
But there's that same unhappy feeling and there's that anguish,
there's that doubt
*It's that same old dizzy hang up
*Can't live with you or without

Tell me why
Is it so
Don't wanna let you go

22 de junho de 2009


Vontade de relaxar....